Carcará: parente do falcão não passa fome; entenda

“Carcará/ Lá no sertão/É um bicho que avoa que nem avião/É um pássaro malvado/Tem o bico volteado que nem gavião”. Começo o artigo de hoje com um clássico da MPB, do compositor João Vale, interpretado por inúmeros artistas.

Apesar de ser mencionado como semelhante ao gavião na música, esse bicho de aparência imponente é parente do falcão. Talvez muitos hoje não conheçam a canção, mas eu convido a todos para saber mais sobre essa ave da família dos falconídeos. Vem comigo!

O Carcará, caracará ou carancho possui cerca de 60 cm de altura, sendo a envergadura capaz de atingir 123 cm, além de peso médio de 834 g (macho) e 953 g (fêmea).

Adulto, possui bico curvo característico das aves de rapina. A maior parte da plumagem varia do marrom ao preto. Na cabeça branca, traz um penacho negro; seus pés amarelos contrastam com as asas e o dorso.

Voando, parece o urubu, porém, as duas manchas claras nas pontas das asas e a cabeça diferenciada ajudam a tirar qualquer dúvida.

Outra curiosidade é que a espécie conta com uma área sem penas próxima aos olhos. A região é conhecida como “cera” e pode indicar o temperamento do Carcará, pois muda de cor conforme o “humor” dele.

Por exemplo: se o rapinante está descansando, a “cera” fica alaranjada ou vermelha; em situações de disputa por alimento ou ação, apresenta tonalidade amarelada.

No meio científico a ave é chamada de Caracara plancus. Popularmente, é também conhecida como carancho, gavião-de-queimada e caracaraí.

É um dos rapinantes mais comuns no Brasil, podendo ser encontrado em pastagens, campos naturais, praias e até nos centros urbanos; habita o centro e o sul de toda a América do Sul. Olha ele aí em uma área verde exibindo sua beleza rústica…

Existe uma espécie muito semelhante: a Caracara cheriway ou caracará do Norte, que é encontrada ao norte do rio Amazonas.

Às vezes, é difícil diferenciar as aves pela plumagem devido presença de exemplares híbridos ou sobreposição de espécies. É o que pode acontecer em uma zona de contato das duas, na Amazônia central, ao longo do rio Solimões/Amazonas.

Carcará: hábitos e alimentação

O onívoro Carcará é muito oportunista, não dispensa nada. Ele come invertebrados, pequenos mamíferos e até animais moribundos ou atropelados nas estradas.

Tudo o que vier é lucro para ele. Pode ser um peixe morrendo em uma poça, um lagarto agonizando, uma cobra ou caranguejo. E ainda é capaz de saquear ninhos de aves, inclusive das grandes como a tuiuiú (Jabiru mycteria), principalmente quando ovos ou filhotes são deixados sozinhos.

Sem contar que ainda fica perto dos ninhais para devorar restos de comida que caem no chão, ou polpas de alguns frutos, entre eles o coco acuri. Também é possível encontrar um Carcará fazendo uma refeição de carrapatos e outros parasitas em capivaras e gado.

Um comportamento não muito frequente do Carcará é fazer uma parceria com outros do gênero para matar uma presa maior. E pode vir a caçar, capturando aves e pequenos vertebrados, matando suas presas com bicadas na nuca.

Quanto à procura por carniça, chega a ser encontrado tranquilamente voando ou pousando em uma carcaça junto aos urubus. Aliás, em geral, o Carcará segue estes “companheiros” para encontrar comida. Esperto é ele!

Como diz a letra da música que citei lá no começo, “Carcará/Pega, mata e come/ Carcará/Num vai morrer de fome”. Parece que nunca vai morrer de fome mesmo não, concorda?

Para completar, o poderoso sistema digestivo do Carcará dá conta de tudo, e o que não consegue processar é regurgitado pela ave.

Até o próximo artigo com mais conteúdo sobre o interessante reino animal!

 

 

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