Cavalo

Marcha Batida e Marcha Picada: conheça diferenças

Marcha Batida e Marcha Picada fazem parte das várias modalidades de andamentos com deslocamentos diferenciados dos cavalos, resultantes de cruzamentos entre raças. Vem comigo entender mais sobre esse tema cheio de curiosidades – e graça!

O que na literatura brasileira é definido como “marcha” e na espanhola é “passo” consiste essencialmente em deslocamento intercalado em apoios bipedais (laterais e diagonais) e tripedais.

Antes de chegar às diferenças entre Marcha Batida e Marcha Picada, primeiro é necessário saber que, ao marchar, o cavalo mantém o contato constante com o chão, sempre com dois ou três membros apoiados no solo – ao contrário do trote.

Isso faz com que haja redução de impacto e atrito, proporcionando conforto único ao cavaleiro na equitação. Especialmente quando há uma distribuição ideal dos tempos de apoios. Quanto mais otimizada essa disposição, melhor o andamento.

Então, agora chego ao ponto das duas variedades: Marcha Batida e Marcha Picada. A essência da diferença entre elas está nos tempos nos quais o cavalo fica em cada apoio, variando conforme maior ou menor dissociação.

Basicamente, na Marcha Batida, os apoios laterais e tríplices ocorrem em fração de segundos, apenas no momento de troca de apoios durante o deslocamento. Ou seja, são quase imperceptíveis. Os apoios diagonais são bem maiores do que eles.

A Marcha Batida tende a ser o melhor andamento para a equitação clássica. É excelente para equitação esportiva. Também em quatro tempos, porém, com os toques dos cascos soando de dois a dois (1,2 /3,4), possibilita completa junção neurofisiológica entre cavaleiro e cavalo, dispensando o famoso “senta/levanta” do trote.

Portanto, além de cômoda nas transições, a Marcha Batida confere mais harmonia ao conjunto, graças à correta posição do cavaleiro na sela e demais fatores citados.

Marcha Batida e Marcha Picada: dinâmicas e curiosidades

A caracterização da Marcha Batida clássica, sua essência pura, de valor zootécnico, é a separação nitidamente visual.

Zootecnicamente, ao falar de seleção de cavalos marchadores, quanto mais dissociada for a locomoção dos membros, mais valor tem a marcha, no que diz respeito à sustentação e à dinâmica, já que ficam distantes os extremos do trote e da andadura, que não são bem-vindos.

Quanto à Marcha Picada, há maior predominância de apoios laterais e tríplices em relação à batida. Assim, a estada nos apoios laterais não é mais prolongada do que os tempos dos apoios diagonais.

Ainda diferenciando Marcha Batida e Marcha Picada, a segunda conta com sequência de apoios idêntica à da primeira. No entanto, existe dissociação maior, provocando variação de permanência nos tempos de apoio.

Contextualizando a Marcha Picada no cenário da equinocultura internacional, ela sempre predominou em vários países da América do Sul, especialmente na Colômbia (raça Paso Fino) e no Peru (raça Paso Peruano). Estes animais são representantes importantes da Marcha Picada.

Entre as raças brasileiras que apresentam a Marcha Picada, os destaques são: Campolina, Piquira e Campeiro, esta última oriunda de Santa Catarina.

Uma curiosidade sobre Marcha Picada é que ela é um dos andamentos naturais de um jumento, o Pêga, genuinamente brasileiro. É a única raça de asininos no mundo a possuir andamento marchado natural.

Na segunda metade do século passado, enquanto havia prevalência da Marcha Batida nas exposições, proprietários de cavalos e éguas de passeios e cavalgadas seguiam caminho contrário, ou seja, davam preferência aos animais de Marcha Picada.

Chegando à primeira década do século XXI, houve uma pressão do mercado para colocar Marcha Picada em julgamentos oficiais. O que colaborou fortemente para a consolidação dela em todo o Brasil.

Seja qual for a marcha, existe um problema causado por dificuldades em casquear o cavalo que afeta o desempenho e o bem-estar do equino. É uma condição chamada de claudicação ou manqueira. Você pode saber mais sobre ela clicando aí no link do post. Boa leitura!

Até a próxima!

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