Síndrome de Horner: o que é e como identificar

A Síndrome de Horner (SH), como o nome já diz, é um conjunto de sinais clínicos, incluindo a contração da pupila (miose) e a protrusão da terceira pálpebra. Parece complicado? Calma, que eu explico tudo isso já… Vamos ao artigo de hoje!

Um dos motivos para levar o gato ao veterinário é essa tal protrusão da terceira pálpebra. Sinais mencionados pelos tutores nos consultórios veterinários às vezes destacam a diferença de tamanho entre os olhos, uma condição conhecida como anisocoria. Porém, uma das principais queixas é o surgimento de uma espécie de “lençol branco” (terceira pálpebra).

E quando o médico faz exame no animal, outros indícios são avaliados, entre os quais queda ou abaixamento anormal (ptose) do olho e deslocamento do globo ocular para dentro da órbita (enoftalmia). Em alguns casos, ocorre também aumento de temperatura no focinho e parte externa do pavilhão auricular do pet.

Tudo isso é resultante de uma carência na chamada inervação simpática do globo ocular, capaz de afetar gatos e cães de ambos os sexos.

Como saber se o seu gatinho está com Síndrome de Horner? O diagnóstico é obtido com base na identificação dos sinais clínicos citados antes, assim como do local da lesão (central, pré-ganglionar ou pós-ganglionar).

As lesões reversíveis do tipo pós-ganglionar geralmente são as mais comuns, sendo examinadas facilmente ao visualizar o paciente felino ou canino. Mas o diagnóstico da Síndrome de Horner deve incluir outros métodos de exames físicos, neurológicos, otoscópicos, oftalmológicos e de imagens.

E é fundamental conhecer bem a anatomia de toda a via neuronal que participa em casos de SH para tentar chegar à conclusão sobre qual neurônio sofre a lesão – se é de primeira, segunda ou terceira ordem.

Aviso: Este post tem a função de informar. Não substitui consultas e tratamentos com veterinário e outros cuidados com os animais de estimação. Consulte sempre um profissional especializado para tratar seu pet com toda a atenção e o conhecimento que ele merece e precisa.

Síndrome de Horner: diagnóstico e outras informações

Para localizar a parte do nervo simpático em que está a lesão, às vezes o médico usa como referência outras alterações neurológicas simultâneas.

Com os resultados desta parte neurológica e da avaliação física, ele pode chegar a uma conclusão melhor sobre quais os outros testes serão úteis na intenção de encontrar não somente o lugar da lesão, mas também sua causa. Em alguns casos, o veterinário pode recorrer a radiografias do tórax, cervical e coluna.

Ao suspeitar de lesões de primeira ou segunda categoria, existe a possibilidade de solicitar exames avançados de imagem. A ideia é descartar a presença de tumores no mediastino ou cervical, que são causas comuns tanto em gatos quanto em cães.

Se há desconfiança de uma lesão de terceira ordem, geralmente, os veterinários podem solicitar tomografia computadorizada, radiografia ou ressonância magnética para verificar a orelha média.

A causa de Síndrome de Horner em animais domésticos pode ser identificada ainda com testes farmacológicos, pois, na presença de SH, ocorre uma hipersensibilidade. Então, é possível avaliar um felino com solução de fenilefrina diluída em solução salina.

Reverter a Síndrome de Horner depende diretamente da causa do problema e do nível de gravidade da condição neurológica. Em alguns bichos de estimação, a SH idiopática, ou seja, que não é sintoma de outra doença, tende a ser resolvida espontaneamente em cerca de 6 meses. Inclusive, a acupuntura costuma ser utilizada – com sucesso – neste caso.

Porém, lesões que danificam o gânglio cervical cranial são consideradas permanentes. E as lesões de neurônio motor superior trazem outros déficits neurológicos importantes, contando com um prognóstico pobre.

A via simpática de nervos para o globo ocular é muito complexa, como você pode notar. Por isso, não é de se admirar que seja afetada por tantos fatores.

Como a Síndrome de Horner é frequente em gatos e cães, é fundamental que o clínico saiba reconhecer sintomas e orientar corretamente os tutores na realização de exames complementares que encontrem a causa do problema.

Até breve com mais conteúdo sobre animais!

 

 

Imagens: Pixabay

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