Urubu: hábitos, alimentação e importância

Nojento, feio, sujo. Talvez, para a maioria de nós, o Urubu seja assim. Se até o pesquisador Charles Darwin teria comentado “São aves nojentas, que se divertem na podridão”, fica difícil perder a má reputação que dura séculos… Mas será que é só isso? É o que você vai ver agora!

Logo de cara, é preciso fazer justiça ao animal que tem uma grande importância na natureza, uma vez que limpa o ambiente em que vive. O Urubu elimina cerca de 95% das carcaças de animais mortos, inibindo a propagação de doenças.

Ao exterminar o material orgânico apodrecido, acaba com bactérias capazes de provocar enfermidades e/ou matar diversos bichos, selvagens e domésticos. Já parou para pensar que seu pet pode ser beneficiado pela ave carniceira?

Então, de certa forma, podemos ser gratos ao ver um Urubu voando entre construções nas cidades, vasculhando lixões ou parado no alto de prédios observando possíveis fontes de alimento. E o mais comum nas áreas urbanas é o urubu-de-cabeça-preta (C. atratus).

A visão privilegiada é perfeita para localizar os cadáveres em solo, porém, as espécies do gênero Cathartes ganham destaque pelo olfato extremamente apurado, que consegue encontrar seu menu preferido a grandes distâncias. Graças a este fator, encontram comida primeiro, e muitas vezes são seguidos pelas demais aves.

Os Urubus passam horas planando, aproveitando correntes de ar quente, gastando o mínimo de energia. São movimentos ascendentes espirais em largos círculos, além de voos por dezenas de quilômetros atrás de uma refeição, geralmente compartilhando o céu com gaviões e águias.

Dependendo da região, conta com auxílio do carcará (Caracara plancus), em uma associação benéfica para ambos não somente do ponto de vista alimentar.

Os carcarás ainda contam a permissão para retirar ectoparasitas da plumagem dos Urubus. Em contrapartida, além de conseguirem comida com mais facilidade, colaboram com a proteção de seus “colegas”.

Pesquisas indicam que em locais onde não existem Urubus, as carcaças demoram três ou quatro vezes mais tempo para serem decompostas.

Depois de ler tudo isto, a pergunta é: como o Urubu não passa mal ao ingerir carne podre? É que seu estômago secreta um suco gástrico poderoso, neutralizador de micro-organismos e toxinas.

Acredita-se também que a ave dispõe de anticorpos que tornam seu organismo imune a patologias que atingiriam outros animais. A ausência de penas na cabeça e pescoço é outra característica marcante – e que auxilia na preservação do bem-estar, uma vez que dificulta o acúmulo de restos de alimentos nas penas.

A natureza é realmente incrível, não é?

Confira a segunda parte deste post para ver mais!

Urubu: espécies e mais curiosidades

Existem sete espécies de Urubus; cinco delas são encontradas em território brasileiro. Confira:

• Urubu da mata (Cathartes melambrotus)
• Urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus)
• Urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus)
• Urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura)
• Urubu-rei (Sarcoramphus papa)

O maior do país é o Urubu-rei, chamado também de urubu-real, urubutinga, urubu-branco, corvo-branco, rubixá ou iriburubixá. A espécie ocorre do sul do México ao norte da Argentina, incluindo o Brasil; vive em florestas com clareiras, próximas a paredões e regiões montanhosas no cerrado e caatinga.

Esse imponente exemplar mede de 71 a 81 cm de comprimento, mas a envergadura das asas pode alcançar 180 cm. Já seu peso varia entre 3 e 3,7 kg. A plumagem é predominante branca; enquanto sua cabeça e pescoço são coloridos.

Seu apelido principal é devido ao porte e por comer sempre antes que os outros no compartilhamento da carniça. O que é favorecido por seu forte bico curvado, que rasga melhor as carcaças. Tanto que recebeu o título de despedaçador.

Sujo, nojento… Bem, o Urubu pode ter um pouco disso, sim, pelo que consome. Mas é importante para o equilíbrio da natureza, e, cá entre nós, olhando a foto acima, tem sua beleza, né?

Até o próximo artigo!

 

 

Imagens: Kdsphotos from Pixabay

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