Rinoceronte-branco: do Tinder à fertilização in vitro

O último Rinoceronte-branco macho foi parar no Tinder, mais precisamente em uma campanha para levantar fundos destinados à sua reprodução em laboratório. A ideia: evitar a extinção da espécie. Se deu certo ou não, você vai descobrir hoje aqui. Basta vir comigo!

Antes de entrar na suposta estratégia amorosa, é interessante dizer que, na verdade, a diferença principal entre o Rinoceronte-branco e o negro não é exatamente a cor da pele, mas o formato dos lábios. Por isso, a estrela deste artigo é conhecida como rinoceronte de lábios quadrados.

Trata-se do maior entre os animais do gênero; integrante da família de mamíferos perissodáctilos com peso médio de 2 toneladas e aproximadamente 1,80 m de altura.

Em 2017, o exemplar macho restante, Sudan, foi o centro de uma ação para tentar arrecadar US$ 10 milhões. O dinheiro seria utilizado no custeio da fertilização in vitro, aumentando a chance de reprodução da espécie. Afinal, só existiam três exemplares do gigante vivos.

Durante um bom tempo, pesquisadores tentaram fazer com que Sudan e algumas “pretendentes” procriassem naturalmente, porém, não tiveram sucesso.

Então, a organização queniana Ol Pejeta Conservancy, em parceria com o aplicativo de namoro, lançou o perfil do Rinoceronte-branco na mídia social. Dá uma olhada no anúncio do bonitão aí…

Infelizmente, apesar dos esforços, não deu match na empreitada e, em 2018, o Sudan morreu, aos 45 anos, devido a uma infecção na pata, que progrediu por causa da idade avançada – algo em torno de 100 anos humanos.

Com sua partida, ficaram somente fêmeas. Dessa maneira, pelo menos em tese, o Rinoceronte-branco entrou em extinção. No entanto, ainda há esperança… Confira na segunda parte deste post!

Rinoceronte-branco: expectativa de reverter a extinção

A luz no fim do túnel na salvação do Rinoceronte-branco vem do material genético do Sudan. Os cientistas estão usando as informações para manipular embriões e fazer uma inseminação artificial nas duas últimas exemplares.

Não há garantia da eficácia, como muita coisa que é testada, pela primeira vez ou não. O ideal seria que o Rinoceronte-branco tivesse sido preservado décadas atrás, de outro jeito.

Mas, já que não aconteceu, o desejo dos especialistas é que a eliminação dele possa ser revertida através de embriões híbridos. A expectativa é que, em mais ou menos dois anos, nasça o primeiro filhote de Rinoceronte-branco do norte.

Os pesquisadores apostam nas técnicas de reprodução assistida porque os resultados têm sido promissores no sentido de resgatar os genes do icônico animal.

O rinoceronte é um dos cinco grandes animais da África, ao lado do leopardo, búfalo, elefante e leão. Além do Rinoceronte-branco e rinoceronte-negro, existem ainda o rinoceronte-das-índias, rinoceronte de Java e rinoceronte de Sumatra.

A procura desenfreada pelo chifre desses bichos tem um motivo: o material é considerado mais valioso do que ouro, graças à fama de poder curar o câncer. Por isso, é vendido em países como o Vietnã por até US$ 100 mil o quilo.

Isso era facilitado por umas das particularidades mais fortes dos rinocerontes: a demarcação de território pisando nas próprias fezes e criando um rastro, transformando o animal em presa fácil de pessoas treinadas para identificar a trilha de excrementos.

Em seus últimos anos de vida, Sudan, a personagem central deste artigo, tinha guarda-costas armados ao seu lado 24 horas por dia, sete dias por semana. Os homens afastavam os caçadores ávidos pela extremidade preciosa.

Sudan vivia na Ol Pejeta Conservancy, área de proteção no Quênia, desde a década de 1970. Naquela época, existiam cerca de 500 Rinocerontes-brancos do norte. Vamos cruzar os dedos para a ciência encontrar meios de salvar o Rinoceronte-branco e diversas outras espécies do extermínio!

Até a próxima!

 

 

Imagens: Divulgação/ Ol Pejeta Conservancy

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