Pangolim: doçura e risco de extinção da “alcachofra de patas”

Imagine uma mistura de tamanduá com tatu; acrescente uma dose de simpatia e outra de docilidade. O exótico Pangolim é o tipo de animal que a gente não encontra a todo instante por aí, principalmente porque está ameaçado de extinção.

Hoje você vai conhecer esse bichinho que traz uma particularidade especial, a de ser o único mamífero completamente coberto por escamas. E ainda vai saber por que ele é alvo de caçadores, que ameaçam sua existência, infelizmente…

Graças a uma cauda longa e elástica, o Pangolim consegue ficar preso nos ramos de árvores, alcançar formigueiros mais fundos para uma refeição e carregar seus filhotes, além de se enrolar em volta deles para protegê-los.

Sua língua chega a ser maior do que o próprio corpo. É com ela que o Pangolim é capaz de comer 7 milhões de formigas e cupins durante um ano inteiro. Quanto apetite!

Fora isso, é uma língua viscosa, que substitui bem os dentes prendendo os alimentos, engolidos inteiros! No estômago, onde esse mamífero guarda pedras (sim, você não leu errado…), é que a comida é moída.

A carapaça escamosa e firme é a principal defesa do Pangolim, embora tenha alongadas e fortes garras. Ao menor sinal de perigo, esse animal esperto trata logo de ficar todo enrolado em si, parecendo uma bola.

Mesmo assim, de 2011 a 2013, foram mortos entre 117 mil e 234 mil exemplares (dados da WWF). O Pangolim é um dos bichos mais traficados no mundo.

Ele é encontrado principalmente em zonas tropicais como a Ásia e a África. O fato de ser uma espécie solitária ajuda a deixar o Pangolim mais ao alcance de predadores humanos. Ele costuma interagir com seus semelhantes somente na época de reproduzir e cuidar dos filhotes.

Falando em bebês, os dos Pangolins são fofos, mas ao crescerem ganham outro aspecto, pois a carapaça vai sendo formada até eles chegarem à fase adulta.

Pangolim: por que ele é visado por caçadores

Olhinhos escuros, focinho longo e barriga rosada. Quando o Pangolim não está todo enrolado, é possível ver outros detalhes de seu visual diferenciado.

Porém, pouca gente já o viu ou escutou falar dele. Uma das razões é que raramente os Pangolins sobrevivem em cativeiro. Tudo indica que ele é encontrado somente em seis zoológicos no mundo, sendo um na Europa, mais precisamente em Leipzig, na Alemanha.

O Príncipe William, do Reino Unido, fez um alerta sobre o risco de o Pangolim ser extinto antes de muitos ouvirem falar dele.

Boa parte da atenção da mídia vai para elefantes e rinocerontes, verdadeiras “celebridades” do reino animal. Enquanto isso, 100 mil Pangolins são retirados de seu habitat e enviados à China e ao Vietnã todos os anos, em média.

Lá, a carne deles é uma iguaria exótica caríssima, chegando a custar 250 dólares o quilo, ou seja, mais de R$ 800,00, aproximadamente. Para você ter uma ideia da procura por ela, nem os filhotes escapam dos traficantes no Vietnã.

Quanto às escamas, que são feitas de queratina, ganharam fama por suas propriedades medicinais. Muito disputadas, elas costumam servir de remédio devido a uma crença de que possuem compostos associados à cura de doenças como o câncer.

A carapaça também é utilizada para produzir peças artesanais. São itens vendidos a preço de ouro, dependendo da quantidade de material orgânico empregada. Alguns artigos são comercializados a 1.500 dólares, algo em torno de quase R$5 mil.

Grandes localidades do sudeste da Ásia não contam mais com o simpático e dócil Pangolim. Por isso, os exemplares africanos são os mais caçados atualmente. De qualquer forma, as oito espécies do mamífero correm o risco de extinção. Que pena…

É uma criatura gentil, solitária, cuja maneira de andar é quase engraçada, graças a uma marcha de rolamento. O Pangolim parece uma alcachofra com pernas. Um bichinho exótico e tranquilo que pode ser extinto porque virou iguaria cara de uma minoria.

Fico na torcida para que ele não desapareça!

Até o próximo post…

 

Imagens: Dr. Nasser Halaweh – Flickr CCO e Pixabay

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